Um dos maiores salões de automóvel do mundo, o Auto China (ou Exposição Automotiva Internacional de Pequim) acontece dos dias 24 de abril a 3 de maio em Pequim, capital chinesa. Os relatos revelaram que veículos elétricos e carros voadores foram destaque no primeiro dia do evento.
De acordo com a AFP, foram mais de 1.400 veículos de centenas de empresas chinesas e estrangeiras expostos em um espaço de mais de 380 mil metros quadrados – mais de 50 campos de futebol. Além dos automóveis em si, os profissionais da imprensa entraram em contato com robôs humanoides, tecnologias de inteligência artificial e até protótipos de carros voadores. O evento estará aberto para o público geral a partir do dia 28.
O primeiro dia do salão revelou uma forte mudança no setor automotivo. Montadoras tradicionais estrangeiras, como Volkswagen, Toyota e BMW, que já dominaram o mercado chinês, perderam espaço para empresas locais. Fabricantes como BYD, Xiaomi e XPeng ganharam protagonismo ao apostar cedo em carros elétricos e em preços mais competitivos.
Além disso, as marcas chinesas avançam rapidamente na integração de software e sistemas inteligentes. Recursos de direção assistida, conectividade e inteligência artificial se tornaram diferenciais centrais – e estão cada vez mais presentes nos modelos em exposição.
A tendência se reflete também no destaque dado às empresas locais no evento. Embora gigantes globais ainda mantenham grandes estandes, os principais palcos foram dominados por companhias chinesas e por fornecedores estratégicos, como a fabricante de baterias CATL.
Entre os anúncios, a XPeng apresentou um novo SUV elétrico de seis lugares voltado ao segmento premium. O modelo incorpora tecnologias de IA e faz parte de uma estratégia mais ampla da empresa, que inclui planos para lançar robôs humanoides e, no futuro, veículos voadores.

Carros voadores também ganharam espaço
A mobilidade aérea também ganhou espaço. Um dos destaques foi um táxi aéreo de dez lugares desenvolvido por uma startup chinesa chamada AutoFlight, indicando que o país pretende expandir sua atuação para além das estradas.
Diante da concorrência crescente, montadoras estrangeiras têm intensificado parcerias com empresas chinesas para se manter relevantes. A BMW colabora com a CATL, enquanto a Audi utiliza sistemas desenvolvidos pela Huawei. Já a Volkswagen aposta em projetos conjuntos com a XPeng.
Segundo Brian Gu, presidente da XPeng, esse modelo de cooperação deve continuar. Ele também destacou a expansão internacional da empresa, com foco em mercados como Europa e Oriente Médio.
O ambiente competitivo também se intensificou dentro do próprio mercado chinês. A disputa agora envolve não apenas tecnologia, mas também novos formatos de veículos, como SUVs maiores, voltados a consumidores que buscam mais espaço e conforto. Programas de troca e descontos agressivos se tornaram comuns, alimentando uma guerra de preços que levou autoridades a reforçar a supervisão do setor.
Para visitantes, a percepção é clara. “Em comparação, as marcas estrangeiras parecem ter uma presença mais fraca e menos visibilidade”, afirmou Dai, influenciador presente no evento, à AFP.
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