A megacidade linear “The Line”, parte do projeto Neom, na Arábia Saudita, teve suas obras suspensas até pelo menos 2030, segundo um relatório recente. O plano previa uma cidade futurista de 170 km no deserto.
A decisão interrompe um dos projetos mais ambiciosos já anunciados pelo país e expõe uma fase de revisão mais dura do que o planejado inicialmente, explica o New Atlas.

Obras da megacidade entram em pausa
A The Line surgiu como uma promessa grandiosa: uma cidade linear de 170 km, totalmente espelhada, altamente tecnológica e pensada para abrigar uma população comparável à de Nova York. Para isso, a Arábia Saudita chegou a mobilizar uma das maiores operações de terraplenagem do mundo, transformando áreas inteiras do deserto.
Mas o ritmo mudou — e mudou de forma clara. Segundo relatório do site Semafor, todas as obras foram suspensas até pelo menos 2030. Não é apenas um atraso técnico. Na prática, o projeto entra em pausa e abre espaço para dúvidas sobre o que realmente será entregue dentro do megacomplexo Neom.
O que chama atenção é justamente essa virada de expectativa: de símbolo de futuro global para um projeto que agora precisa desacelerar e se reorganizar.
Ajustes e impacto em outros projetos
Nos últimos anos, sinais de revisão já apareciam. Os custos cresceram mais do que o previsto, a execução em áreas remotas se mostrou complexa e as metas iniciais começaram a ser revistas em etapas. O projeto que nasceu com a proposta de uma cidade para milhões passou a ser ajustado com mais cautela.
Essa mudança não ficou restrita à The Line. O Trojena, planejado para sediar os Jogos Asiáticos de Inverno de 2029, também deve ficar sem novos investimentos até depois de 2030.
Entre os elementos mais marcantes do plano original estavam:
- Cidade linear com estrutura totalmente espelhada
- Cerca de 170 km de extensão no deserto
- Capacidade para população de grande metrópole
- Infraestrutura integrada e automatizada
- Forte dependência de tecnologia em todos os sistemas urbanos

Projetos que seguem ativos no Neom
Mesmo com a pausa na The Line, outras frentes do Neom continuam avançando. A cidade portuária industrial Oxagon segue em desenvolvimento e ganhou ainda mais relevância estratégica no cenário recente.
Outros projetos também seguem caminhos diferentes. A Cidade de Qiddiya já inaugurou um parque temático, enquanto a Torre JEC, planejada para ser o arranha-céu mais alto do mundo, continua em construção.
Revisão estratégica do megaprojeto
A suspensão ocorre após uma revisão interna do Neom conduzida pelo novo CEO da empresa responsável, Aiman al-Mudaifer. A mudança de direção indica um reposicionamento mais pragmático: em vez de avançar em ritmo acelerado em todas as frentes, o foco passa a ser o que é viável entregar no curto e médio prazo.
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Na prática, o discurso de inovação total dá lugar a uma abordagem mais cautelosa, com escolhas mais graduais.
E fica uma questão em aberto — e ainda sem resposta clara: essa pausa na The Line é apenas uma reorganização temporária ou o sinal de que o projeto nunca mais voltará ao ritmo originalmente anunciado?
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