O Immigration and Customs Enforcement (ICE), ĂłrgĂŁo de imigração dos Estados Unidos, tornou-se a agĂŞncia policial com maior orçamento do paĂs apĂłs a aprovação de uma lei em 2025. Com esses recursos, a agĂŞncia comprou tecnologias de vigilância avançadas para rastrear pessoas.
A agência expandiu seu foco e agora também monitora redes de manifestantes que protestam contra o próprio ICE, incluindo cidadãos americanos que não são imigrantes. Grupos de direitos civis e parlamentares criticam o uso dessas ferramentas. Eles alegam que elas violam a privacidade e a liberdade de expressão.
ICE usa tecnologias avançadas para monitorar suspeitos (imigrantes ou não)
O ICE tem investido em ferramentas que vĂŁo de rastreadores a bancos de dados que mostram por onde celulares passaram. AlĂ©m disso, um relatĂłrio do governo confirmou que o uso de inteligĂŞncia artificial (IA) e reconhecimento facial cresceu muito nas operações da agĂŞncia. Confira abaixo as tecnologias usadas pela polĂcia de Trump, segundo o Washington Post:
Reconhecimento facial e biometria (NEC and Clearview AI)
Os agentes usam um aplicativo chamado Mobile Fortify, da NEC, que permite escanear o rosto ou as digitais de alguĂ©m na rua e comparar na hora com dados do governo. AlĂ©m disso, o ICE comprou uma ferramenta da B12 Technologies que identifica pessoas pela Ăris do olho a uma distância de quase 40 centĂmetros.
O sistema Clearview AI, que usa fotos públicas da internet, também é utilizado. Embora devesse ser usado apenas em casos de exploração infantil, novos contratos de US$ 3,75 milhões (R$ 19,5 milhões) permitem que o ICE use a ferramenta para investigar qualquer agressão contra policiais.
As empresas NEC e B12 Technologies nĂŁo responderam aos pedidos de comentário do jornal. Já a Clearview AI afirmou que sua tecnologia funciona apenas como uma ferramenta de pesquisa para ajudar investigações apĂłs os fatos, utilizando somente imagens que já estĂŁo disponĂveis publicamente na internet.
Leitura de placas de veĂculos (Motorola Solutions and Thomson Reuters)
O ICE usa câmeras que fotografam placas de carros em alta velocidade e guardam essas informações em grandes bancos de dados. Com isso, agentes conseguem ver por onde um veĂculo passou e descobrir, por exemplo, se alguĂ©m estaciona sempre num lugar diferente de onde mora.

Mesmo quando empresas privadas tentam limitar o acesso do ICE, a agência consegue os dados pedindo ajuda para policiais locais que são parceiros. O sistema utilizado conta com mais de 20 bilhões de registros de placas.
A Motorola Solutions e a Thomson Reuters nĂŁo se pronunciaram sobre o fornecimento de dados ao ICE, segundo o jornal. A Flock Safety declarou que nĂŁo possui o ICE como cliente. AlĂ©m disso, a empresa ressaltou que apenas os departamentos de polĂcia locais (os donos dos dados) podem decidir com quem as informações serĂŁo compartilhadas.
Simuladores de torres de celular (L3Harris)
O ICE utiliza aparelhos chamados Stingrays, que fingem ser torres de celular para enganar celulares próximos e forçá-los a se conectar. Isso permite que os agentes descubram a localização de um celular em tempo real ou vejam quais aparelhos estão numa determinada área.
Pela lei, o ICE deveria ter um mandado judicial para usar isso. Mas um relatório mostrou que os agentes muitas vezes ignoram essa regra. A agência justifica o uso sem autorização em casos de emergência ou perseguição de suspeitos.
A L3Harris, fornecedora dos dispositivos que rastreiam a localização de celulares em tempo real, não respondeu aos pedidos de esclarecimento do jornal sobre o uso de seus equipamentos pelo ICE.
Localização por aplicativos (Penlink)
A agência compra informações de corretores de dados que coletam a localização de pessoas por meio de aplicativos comuns, como jogos e previsão do tempo. Como esses dados são vendidos comercialmente, o ICE consegue rastrear as pessoas sem precisar de um mandado judicial das operadoras de telefonia.
Um dos sistemas comprados, o Webloc, permite criar uma “cerca digital” num mapa para monitorar os celulares que entrarem naquela área especĂfica. O ICE já demonstrou interesse em ampliar ainda mais esse tipo de coleta de dados.
A Penlink, responsável pelo sistema Webloc, preferiu não comentar sobre a venda de seus serviços de localização comercial para o governo, de acordo com o Washington Post.
Invasão de aparelhos e recuperação de dados (Paragon Solutions, Cellebrite e Finaldata)
O ICE possui ferramentas capazes de hackear celulares bloqueados, ler mensagens criptografadas e recuperar arquivos que foram apagados. Antes, essas técnicas eram usadas apenas contra o terrorismo, mas agora fazem parte da estratégia de deportação.

A agência comprou programas de empresas como a Cellebrite e Paragon Solutions, que permitem até o acesso remoto a um celular. Um pedido para comprar esses programas chegou a ser pausado pelo governo Biden, mas foi liberado pela gestão Trump em 2025.
A Cellebrite afirmou que seu contrato com o governo foca em investigações de segurança nacional e destacou que sua tecnologia exige a posse fĂsica do celular e autorização legal para ser utilizada. A Finaldata nĂŁo respondeu aos contatos do jornal. E a Paragon Solutions, que fabrica o software de invasĂŁo remota, nĂŁo divulga informações de contato para o pĂşblico, segundo o Washington Post.
Drones e câmeras aéreas (Skydio e General Atomics)
Drones pequenos, como o Skydio X10D, sĂŁo usados para identificar pessoas a mais de um quilĂ´metro de distância com câmeras de visĂŁo noturna e tĂ©rmica. Esses aparelhos transmitem vĂdeo ao vivo para as bases da agĂŞncia durante operações e protestos.
Em casos maiores, drones militares chamados Predator podem vigiar áreas imensas de uma sĂł vez, com centenas de câmeras coordenadas. AlĂ©m disso, novas regras proĂbem que outras pessoas controlem drones perto de onde o ICE estiver trabalhando. Assim, a agĂŞncia de imigração tem controle total do cĂ©u.
A Skydio, fabricante dos drones compactos usados em operações de campo, não se manifestou sobre o assunto, segundo o jornal. Um porta-voz da General Atomics, que produz o drone Predator, explicou que o modelo básico inclui câmeras de alta definição e radares que enxergam através de nuvens e chuva. Mas disse não saber se o ICE fez atualizações extras no equipamento.
O post ICE: as tecnologias usadas pela polĂcia de Trump para prender imigrantes apareceu primeiro em Olhar Digital.
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