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História humana: descoberta em cavernas da Europa pode revolucionar a arqueologia

Uma descoberta recente revelou DNA humano com pelo menos 2 mil anos em cavernas da Espanha e de Portugal, segundo pesquisadores citados pela Deutsche Welle. O achado reforça uma ideia que ainda surpreende: superfícies rochosas podem preservar vestígios humanos por milênios.

O estudo foi publicado na revista científica Nature e amplia o que se sabia sobre conservação de material biológico em ambientes arqueológicos.

Painel rupestre encontrado em cavernas na Península Ibérica.
Amostras com e sem pigmento revelaram DNA antigo inesperado em superfícies rochosas, segundo equipe internacional de cientistas. – Imagem: Alberto Martínez Villa/Instituto Max Planck

Quando a arte rupestre virou também pista genética

O projeto FIRST ART nasceu com outro objetivo: datar pinturas rupestres na Península Ibérica. Em determinado momento, porém, a equipe decidiu olhar além dos pigmentos e investigar também o DNA presente nas superfícies.

Pouco antes de uma das últimas expedições, obtivemos uma amostra de pigmento que testou positivo para DNA humano antigo. Ficamos extremamente empolgados

Alba Bossoms Mesa, pesquisadora do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, ao IFLScience.

A partir desse resultado, as cavernas passaram a ser vistas como possíveis arquivos biológicos — algo que não fazia parte da expectativa inicial da equipe.

Pintura rupestre encontrada em caverna na Península Ibérica
DNA humano antigo foi identificado até em áreas sem pintura, surpreendendo pesquisadores do projeto FIRST ART. – Imagem: Alberto Martínez Villa/Instituto Max Planck

O que foi analisado em 11 cavernas diferentes

A pesquisa envolveu 24 painéis de arte rupestre distribuídos em 11 cavernas na Espanha e em Portugal. Entre os materiais estavam mãos em negativo, traços simples e fragmentos de pigmento de sítios como Altamira.

Além das pinturas, também foram analisados sedimentos, ossos e ferramentas usadas na aplicação de pigmentos. Em alguns casos, o DNA apareceu em áreas sem qualquer vestígio visível de tinta.

  • 11 cavernas estudadas
  • 24 painéis de arte rupestre
  • amostras com e sem pigmento
  • sedimentos, ossos e ferramentas
  • DNA em áreas inesperadas

Quem deixou esse DNA nas paredes?

O material genético mais relevante foi encontrado na Caverna do Escoural, em Portugal, e na Caverna do Covarón, na Espanha. Em alguns pontos, ele surgiu justamente em locais usados como controle, onde não se esperava presença humana.

Para Mesa, não é possível determinar a origem exata. “Não podemos descartar que tenha sido deixado pelo artista, que estava apoiado na parede enquanto pintava. Mas também pode ter pertencido a qualquer outra pessoa que tenha passado por ali, escorregado e tocado a superfície”, explicou.

Pesquisador observando pinturas rupestres em caverna na Península Ibérica.
Descoberta sugere que cavernas podem preservar vestígios humanos por milênios e abrir novas possibilidades para a arqueologia. – Imagem: Matthias Meyer/Instituto Max Planck

Novas leituras sobre ocupação humana antiga

O arqueólogo Hipólito Collado, coautor do estudo, afirma que o resultado ajuda a entender melhor como grupos antigos interagiam com esses ambientes.

O DNA analisado tem pelo menos 2 mil anos, mas algumas cavernas tiveram entradas seladas há cerca de 4 mil anos, o que sugere preservação ainda mais antiga em certos casos.

Segundo os pesquisadores, foram identificados perfis genéticos de três mulheres, um homem e uma amostra não conclusiva. A equipe acredita que esse tipo de análise pode transformar cavernas em fontes diretas para estudos arqueológicos e genéticos.

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