A Meta pode anunciar nesta semana uma reestruturação profunda em sua divisão de hardware, o que sinalizaria o fim de uma era. A empresa planeja demitir cerca de 10% da força de trabalho do Reality Labs, braço responsável pelo desenvolvimento do metaverso, conforme as prioridades do CEO, Mark Zuckerberg, migram para a inteligência artificial (IA).
O movimento marca um recuo estratégico do plano original de construir um mundo virtual imersivo para focar em tecnologias mais imediatas e lucrativas. Com a mudança, o Reality Labs, que abriga cerca de 15 mil funcionários, deve sofrer cortes concentrados nas equipes de realidade virtual e na rede social Horizon Worlds, segundo o New York Times.
Mark Zuckerberg reduz investimentos no metaverso para priorizar IA
A decisĂŁo de enxugar o Reality Labs ocorre apĂłs anos de gastos massivos e retornos financeiros incertos sobre o conceito de metaverso. Estima-se que a divisĂŁo tenha acumulado perdas superiores a US$ 70 bilhões (aproximadamente R$ 376 bilhões) desde o inĂcio de 2021, tornando-se um alvo Ăłbvio para investidores que pediam maior disciplina fiscal.

O diretor de tecnologia da Meta, Andrew Bosworth, convocou uma reunião presencial urgente para esta quarta-feira (14), classificada como a “mais importante do ano”. A expectativa é que ele detalhe os cortes de custos, que podem chegar a 30% do orçamento destinado ao grupo do metaverso em 2026.
Esse ajuste nĂŁo Ă© apenas uma contenção de despesas, mas uma realocação estratĂ©gica de talentos para a corrida armamentista da tecnologia atual. Zuckerberg pediu que seus executivos identifiquem onde Ă© possĂvel poupar para garantir que a Meta nĂŁo fique para trás no desenvolvimento da “prĂłxima geração” de modelos de IA.
Embora o metaverso ainda faça parte do discurso oficial, ele deixou de ser a estrela principal nas apresentações de resultados da companhia. O foco agora está em produtos que conectam o mundo fĂsico ao digital de forma mais simples e direta, como os Ăłculos inteligentes lançados em parceria com a Ray-Ban.
O fechamento de postos de trabalho deve poupar as divisões que trabalham com realidade aumentada e dispositivos vestĂveis. Essa guinada indica onde a Meta enxerga seu futuro imediato: em ferramentas de IA que as pessoas possam usar no dia a dia, fora de ambientes totalmente virtuais.
Aposta em infraestrutura e Ăłculos inteligentes dita o novo rumo da companhia
A nova estratégia da Meta ganha corpo com o anúncio do Meta Compute, iniciativa para expandir a infraestrutura de processamento da empresa. O objetivo é garantir que a Meta tenha chips e data centers próprios suficientes para sustentar a evolução de suas ferramentas de IA.

Zuckerberg entende que o controle da energia e do processamento será um grande diferencial competitivo nos prĂłximos anos. Para isso, a empresa planeja construir dezenas de gigawatts em capacidade energĂ©tica, garantindo que o hardware fĂsico nĂŁo se torne um gargalo para o desenvolvimento de software.
Nesse cenário, os Ăłculos Ray-Ban Meta surgem como o grande sucesso inesperado e o principal veĂculo para essa nova fase. Com mais de duas milhões de unidades vendidas, o acessĂłrio provou que o pĂşblico prefere dispositivos discretos que integrem assistentes de voz e câmeras Ă rotina.
A empresa confirmou que está transferindo investimentos do metaverso diretamente para o desenvolvimento desses Ăłculos inteligentes e outros dispositivos vestĂveis. Para o CEO, esses aparelhos sĂŁo a forma principal de levar a “superinteligĂŞncia” para a vida cotidiana das pessoas de maneira natural.
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Ao consolidar o Meta Compute e proteger a equipe de realidade aumentada, a Meta tenta transformar sua crise de identidade numa vantagem técnica. O foco mudou das fantasias virtuais para infraestrutura pesada e dispositivos práticos, numa tentativa de monetizar seus laboratórios de tecnologia futurista.
(Essa matéria também usou informações de Bloomberg.)
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