Um artigo publicado nesta quinta-feira (23) na revista Nature Astronomy revela novos detalhes sobre o visitante interestelar que dominou as manchetes em 2025: o cometa 3I/ATLAS. De acordo com o estudo, ele pode ter se formado em uma região extremamente fria e isolada da Via Láctea, antes mesmo da criação de seu próprio sistema estelar.
Esse objeto é apenas o terceiro visitante interestelar já confirmado – depois do asteroide 1I/Oumuamua, em 2017, e do cometa 2I/Borisov, em 2019 – e possivelmente o mais antigo deles. Pesquisadores estimam que ele tenha até 11 bilhões de anos, mais que o dobro da idade do Sol. Isso o torna uma espécie de “cápsula do tempo” cósmica, capaz de guardar pistas sobre os primórdios do Universo.

Em resumo:
- Estudo revela novos detalhes sobre o cometa 3I/ATLAS;
- Dados sugerem origem em região extremamente fria da galáxia;
- Foi detectada alta concentração de deutério na água do objeto;
- Visitante interestelar pode ter até 11 bilhões de anos;
- Ele pode desvendar segredos dos primórdios do Universo.
3I/ATLAS já está indo embora do Sistema Solar
A análise foi conduzida por cientistas da Universidade de Michigan, nos EUA, usando remotamente o Atacama Large Millimeter Array (ALMA), observatório localizado no Chile. O cometa foi descoberto em julho do ano passado, meses antes de sua maior aproximação, o que possibilitou que a NASA, a Agência Espacial Europeia (ESA) e outras instituições e pesquisadores ao redor do mundo direcionassem telescópios para estudá-lo em detalhes.
Durante a passagem pelo interior do Sistema Solar, o 3I/ATLAS cruzou a órbita de Marte e atingiu seu ponto mais próximo da Terra em dezembro. Atualmente, já ultrapassou Júpiter e segue em trajetória de saída, podendo ser detectado apenas por telescópios astronômicos de alta sensibilidade.

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Cometa teria nascido antes do próprio sistema estelar
Um dos achados mais importantes foi a alta concentração de deutério – uma forma mais pesada de hidrogênio – presente na água do cometa. Esse dado indica que ele se formou em um ambiente muito mais frio do que o da nossa região cósmica, possivelmente antes do nascimento de sua estrela de origem.
Conforme explicou ao site Science Alert a astrônoma Teresa Paneque-Carreno, coautora do estudo, o sistema onde o cometa surgiu pode ter sido mais isolado, sem a influência térmica de estrelas vizinhas. Ainda assim, o local exato de origem permanece desconhecido.
Observações feitas com o Telescópio Espacial Hubble, da NASA, estimam que o núcleo do cometa tenha entre 440 metros e 5,6 km. Ele se afasta a cerca de 220 mil km/h, levando consigo informações valiosas sobre a formação de planetas em fases muito antigas do Universo, próximas aos seus primeiros bilhões de anos após o nascimento do cosmos.
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