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Anthropic: marketplace de IA revela que Claude mais inteligente lucra mais

A Anthropic deu um passo importante para entender como a inteligência artificial pode transformar o comércio global. Em um experimento recente batizado de Project Deal, a startup colocou agentes baseados em seu modelo de linguagem, o Claude, para negociar bens físicos em um marketplace exclusivo. O resultado confirmou uma suspeita da indústria: a “inteligência” do modelo influencia diretamente a lucratividade dos negócios.

Como funcionou o marketplace de IAs

Para realizar o estudo, a empresa recrutou 69 funcionários voluntários em seu escritório de São Francisco, nos Estados Unidos. Cada participante recebeu um orçamento de US$ 100 e passou por uma entrevista inicial com o Claude para definir o que desejava vender, o que gostaria de comprar e quais seriam suas margens de preço e estilo de negociação.

A partir desse momento, os humanos saíram de cena. De acordo com o relato da Anthropic, os agentes foram integrados a canais do Slack onde podiam:

  • Postar itens à venda;
  • Fazer ofertas por produtos de terceiros;
  • Selar acordos sem qualquer intervenção humana.

Ao final de uma semana, o saldo foi impressionante: 186 acordos fechados, movimentando um valor total de transação superior a US$ 4.000. Os itens trocados foram de pranchas de snowboard a sacos de bolinhas de pingue-pongue.

De livros a eletrônicos: mesa exibe os objetos físicos que foram negociados autonomamente pelos agentes de IA durante o "Project Deal" no escritório da Anthropic; participantes se reuniram para trocar os itens após os acordos firmados pelo Claude
De livros a eletrônicos: mesa exibe os objetos físicos que foram negociados autonomamente pelos agentes de IA durante o “Project Deal” no escritório da Anthropic; participantes se reuniram para trocar os itens após os acordos firmados pelo Claude – Anthropic / Divulgação

A vantagem invisível dos modelos avançados

O ponto mais crítico do experimento foi um teste comparativo mantido em segredo durante a execução. A empresa dividiu os participantes entre dois modelos de capacidades distintas: o Claude Opus 4.5 (seu modelo de fronteira mais potente na época) e o Claude Haiku 4.5 (uma versão menor e mais ágil).

Os dados coletados pela Anthropic mostraram que os usuários representados pelo modelo mais robusto, o Opus 4.5, obtiveram resultados objetivamente melhores nas negociações. Em termos práticos, a IA mais avançada conseguiu comprar por menos e vender por mais.

No entanto, o dado psicológico chamou a atenção: nas pesquisas pós-experimento, os participantes representados pelos modelos “mais fracos” (Haiku) sequer notaram que estavam em desvantagem competitiva. Eles estavam satisfeitos com os acordos, mesmo que, financeiramente, tivessem lucrado menos que seus colegas “turbinados”.

O futuro do comércio entre agentes

O sucesso do Project Deal indica que a economia baseada em agentes de IA não é mais um conceito de ficção científica. Os participantes do teste demonstraram entusiasmo e até disposição para pagar por um serviço que automatize suas compras e vendas no futuro, conforme detalhado pela Anthropic.

Embora tenha sido um projeto piloto com um público selecionado, as implicações são reais. À medida que delegamos decisões financeiras a algoritmos, a escolha do modelo de IA pode se tornar o diferencial entre um bom negócio e uma perda silenciosa.

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