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Falhas técnicas na nave da Boeing atrasam cronograma da NASA

A retomada dos voos tripulados da cápsula Starliner segue sem previsão após uma auditoria da NASA apontar problemas técnicos. Segundo o relatório publicado na última terça-feira (30) pelos auditores, a agência ainda não sabe quando o processo será concluído, apenas que a cápsula detém inconsistências que impedem a certificação da espaçonave para transportar astronautas.

O documento analisa o desempenho do Programa de Tripulação Comercial e destaca que falhas registradas em missões anteriores da Starliner continuam sem solução. Entre elas estão vazamentos de hélio, dificuldades no sistema de propulsão e anomalias nos paraquedas, fatores considerados essenciais para a segurança das operações.

Além de recomendar mudanças na condução do programa, a auditoria defende maior rigor no acompanhamento dos próximos voos da Boeing e medidas para reforçar a supervisão da NASA durante o processo de certificação.

A Starliner é a cápsula desenvolvida pela Boeing para transportar astronautas dentro do Programa de Tripulação Comercial da NASA, iniciativa criada para levar e trazer equipes da Estação Espacial Internacional por meio de empresas privadas.

Relatório amplia pressão sobre programa da Starliner

Boeing Starliner durante teste em 2022 (Crédito: NASA)
Boeing Starliner durante teste em 2022 (Crédito: NASA)

A auditoria do Escritório do Inspetor-Geral da NASA concentrou sua análise nos contratos firmados com Boeing e SpaceX para o transporte de astronautas até a Estação Espacial Internacional.

Consoante o documento, a agência deverá contratar novas missões com as duas empresas para garantir equipes completas na estação até 2030, ao mesmo tempo em que acompanha a resolução das pendências técnicas da Starliner.

O relatório afirma que três problemas acompanham o programa da Boeing há anos e seguem impedindo a obtenção da certificação para voos com astronautas. O texto cita vazamentos de hélio, falhas no sistema de propulsão e irregularidades relacionadas aos paraquedas.

De acordo com a auditoria, os dois primeiros permaneciam sem solução até março de 2026, o que impede a definição de um cronograma para a aprovação definitiva da cápsula.

A missão Crew Flight Test, lançada em junho de 2024, também ocupa parte significativa da análise. Durante o voo de testes, diversos problemas obrigaram a NASA a alterar os planos para o retorno da tripulação, que acabou voltando à Terra em uma cápsula Crew Dragon, da SpaceX, em vez da Starliner.

Como consequência, a Boeing decidiu que a próxima missão da espaçonave ocorrerá sem astronautas, embora ainda não exista uma data anunciada para esse lançamento.

O documento lembra que a NASA classificou posteriormente a missão como um acidente do Tipo A, categoria reservada aos eventos mais graves da área de voos espaciais tripulados.

A auditoria considera preocupante o intervalo de 21 meses entre a missão e essa classificação, atribuindo a demora à falta de clareza nos critérios utilizados pela própria agência para enquadrar esse tipo de ocorrência.

Na avaliação dos auditores, o desempenho insatisfatório da missão decorreu de uma combinação de fatores. O relatório menciona excesso de confiança no projeto da cápsula, cronogramas considerados excessivamente otimistas por parte da Boeing e aceitos pela NASA, além da pressão para cumprir essas metas.

Logo da NASA, visto de baixo para cima, em frente a um prédio
NASA escolheu o veículo Griffin da Astrobotic para ser o módulo de pouso de sua missão Moon Base 2 – Imagem: LaserLens/iStock

O documento também afirma que a agência deixou de utilizar plenamente seus direitos de acesso a dados que poderiam ter permitido examinar falhas em simulações de voo antes do lançamento.

Ao tratar do futuro do programa, a auditoria alerta que restrições no quadro de funcionários da NASA podem dificultar tanto a supervisão das atividades quanto a solução dos problemas técnicos e o avanço da certificação da Starliner. Para os auditores, a redução da força de trabalho pode afetar o acompanhamento das próximas etapas do programa comercial.

Embora concentre a maior parte das observações na Boeing, o relatório registra que a SpaceX também enfrentou desafios técnicos nas fases iniciais do desenvolvimento da cápsula Dragon. Ainda assim, a empresa assumiu parte das missões inicialmente previstas para a Starliner, o que gerou um custo adicional de US$ 17 milhões para acelerar lançamentos destinados à Estação Espacial Internacional.

Entre as recomendações apresentadas, a auditoria propõe que a NASA execute as seguintes ações:

  • Adie novos pagamentos à Boeing até a conclusão da certificação da Starliner;
  • Estabeleça um cronograma atualizado para os próximos voos;
  • Registre e acompanhe todas as falhas identificadas durante a missão Crew Flight Test;
  • Amplie o acesso da agência aos testes privados de hardware e software realizados pelas empresas;
  • Esclareça os critérios para classificação de acidentes e priorize a contratação de profissionais especializados para as áreas ligadas ao programa comercial e ao encerramento das atividades da Estação Espacial Internacional.

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