Enquanto milhões acompanham a jornada da missão Artemis 2 em diferentes telas, com a nave Orion em uma missão de 10 dias ao redor da Lua, outro aspecto menos visível dessas operações chama atenção: a dependência de sistemas computacionais — novos e antigos — para viabilizar missões espaciais.
Embora a tecnologia atual da NASA seja muito mais avançada, equipamentos desenvolvidos há décadas continuam em operação. É o caso das sondas Voyager 1 e 2, lançadas em 1977 e ainda ativas no espaço interestelar, mesmo com hardware bastante limitado para os padrões atuais.
Uma viagem ao passado dos computadores da NASA
Um vídeo de cerca de 14 minutos, divulgado pelo YouTuber Gary Friedman, mostra parte da infraestrutura utilizada para dar suporte às Voyagers. As imagens registram o interior do edifício 230 do Laboratório de Propulsão a Jato, na Califórnia, com computadores do tamanho de geladeiras, fabricados por empresas como Univac e IBM.
O material também revela o uso de cartões perfurados, unidades de fita magnética e um centro de comunicação com telefones e monitores. Um dos engenheiros descreve esse sistema como “o coração da operação”, enquanto a gravação documenta os equipamentos antes de uma eventual substituição por sistemas mais modernos.
Esses computadores eram responsáveis por monitorar a segurança operacional das sondas, que hoje estão a mais de 16 bilhões de milhas da Terra.
Limitações extremas e funcionamento contínuo
Cada uma das sondas Voyager conta com três sistemas computacionais, somando apenas 69,63 kilobytes de memória — menos do que um arquivo JPEG comum. Os dados científicos coletados são gravados em um sistema digital de 8 faixas antes de serem enviados à Terra.
Devido à capacidade limitada, as sondas reescrevem constantemente dados antigos após a transmissão. A comunicação ocorre a apenas 160 bits por segundo, uma taxa muito inferior à de conexões dial-up, que operam a partir de 20.000 bits por segundo.
Para captar esses sinais cada vez mais fracos, a NASA utiliza suas maiores antenas disponíveis. Mesmo com falhas em componentes redundantes ao longo do tempo, ou com equipamentos sendo desligados para economizar energia, as Voyagers seguem operacionais.
Comparação com a tecnologia atual
Em contraste, os sistemas da nave Orion, usada na missão Artemis 2 e desenvolvida pela Lockheed Martin, representam um salto significativo. Segundo a empresa, o poder computacional da nave é 20 mil vezes superior ao das missões Apollo e 25 vezes maior que o da Estação Espacial Internacional.

Os computadores da Orion se comunicam com outros sistemas por meio de ethernet gigabit, e todos os sistemas críticos são triplicados para aumentar a confiabilidade durante a missão.
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