Lidar com o lixo eletrĂ´nico Ă© um dos maiores desafios ambientais do sĂ©culo XXI. Segundo estudo da Universidade de Washington (UW) (EUA), atĂ© 2030, o planeta poderá produzir 60 milhões de toneladas de resĂduos tecnolĂłgicos por ano. Essa montanha de componentes, difĂceis e caros de reciclar, ainda expõe trabalhadores e o meio ambiente a metais tĂłxicos, como chumbo e mercĂşrio.
Diante desse cenário, um grupo de pesquisadores desenvolveu um novo material capaz de tornar eletrĂ´nicos recicláveis, flexĂveis e reconfiguráveis, apontando uma solução promissora para reduzir o impacto ambiental do setor.

Material inteligente e versátil
O material desenvolvido combina um polĂmero reciclável com gotĂculas microscĂłpicas de uma liga metálica lĂquida Ă base de gálio. Diferente das placas de circuito tradicionais, rĂgidas e feitas de fibra de vidro e resina, o novo compĂłsito Ă© macio, elástico e condutor de eletricidade.
Criamos muitas funcionalidades em um Ăşnico material. Nosso objetivo Ă© construir uma plataforma amplamente Ăştil para dispositivos flexĂveis e reutilizáveis.
Mohammad Malakooti, professor assistente de engenharia mecânica da UW, ao EurekAlert
Um dos diferenciais está na simplicidade de fabricação: basta marcar levemente a superfĂcie do material para criar um circuito, conectando as gotĂculas e permitindo o fluxo elĂ©trico. O restante permanece isolante, evitando curtos e reduzindo desperdĂcios.
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AlĂ©m da flexibilidade, o material tem um grande trunfo: ele pode ser reciclado quase integralmente. Em testes, os pesquisadores conseguiram recuperar 94% do metal lĂquido presente nas amostras, usando um processo quĂmico simples.

Metal lĂquido Ă© autorregenerativo e sustentável
Outro destaque Ă© a capacidade autorreparadora do material. Ele pode ser cortado, reorganizado e reconectado com o uso apenas de calor e pressĂŁo, mantendo, ainda, o circuito elĂ©trico funcional. Essa caracterĂstica permite criar dispositivos que nĂŁo sĂł duram mais, mas, tambĂ©m, podem ser modificados conforme a necessidade.
Não podemos fabricar todos esses dispositivos e, depois, voltar e tentar descobrir como reciclá-los.
Mohammad Malakooti, professor assistente de engenharia mecânica da UW, ao EurekAlert!
“Foi assim que chegamos ao problema do lixo eletrĂ´nico que enfrentamos hoje. Quero abordar esse problema desde o inĂcio”, explica Malakooti.
Malakooti acredita que a tecnologia poderá impulsionar uma nova geração de produtos eletrônicos, mais duráveis, reparáveis e ecológicos, ajudando a reduzir drasticamente o impacto ambiental do setor. A pesquisa foi publicada na revista Advanced Functional Materials.

PossĂveis aplicações do “metal lĂquido”:
- EletrĂ´nicos vestĂveis mais leves e resistentes;
- RobĂ´s flexĂveis e reconfiguráveis;
- Circuitos sustentáveis com alta taxa de reaproveitamento;
- Dispositivos médicos que exigem flexibilidade e biocompatibilidade;
- Componentes modulares que podem ser rearranjados e reparados.
O post Pesquisadores criam metal lĂquido que se regenera e pode ser totalmente reciclado apareceu primeiro em Olhar Digital.
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